Sempre escutei falar dos vinhos Chianti, muito antes de dar o primeiro gole em qualquer bebida alcóolica, esse nome já rondava minha família e meu imaginário.

Descendente de italianos, minha família cultivou sempre a cultura do vinho e dos encontros familiares. São comemorações que duram até hoje, como a reunião do Natal que se iniciou há quase 70 anos e reúne mais de 120 pessoas (já chegou a quase 200). E claro, em festa assim, o que não falta é tradição. Uma delas é o cabrito da Tia Nina e outra são os Chianti.

Há muito tempo, vinho no Brasil era algo muito difícil de se encontrar, em cidade do interior então, não chegava, era preciso ir até ele, geralmente em São Paulo. E assim faziam os patriarcas da família, vinham até São Paulo buscar carros para vender na concessionaria no interior e aproveitavam, claro, para levar vinhos. Não que houvesse muita opção, mas a escolha era sempre os Vapolicella Bolla ou os Chianti.

Bolla Valpolicella
Bolla Valpolicella

Os vinhos de Chianti tem em seu rótulo no gargalo da garrafa um símbolo de um galo negro (gallo nero em italiano). É um certificado de qualidade, com muitas regras que regem a produção dos vinhos daquela região. Mas por trás desse símbolo existe uma lenda interessante, aquelas de se contar à mesa, degustando um exemplar desse vinho com os amigos.

Vamos a ela; no século XII – época em que as disputas eram definidas de maneira sangrentas, os donos da região Senesi e Fiorentini resolveram a definição das fronteiras das cidades de Siena e Florença de uma maneira diferente.

Cada cavaleiro partiria de sua cidade ao cantar do galo e a fronteira seria definida quando se encontrassem no meio do caminho.

Na véspera da disputa, Siena escolheu um galo branco e Florença um galo negro. Siena, decidiu agradar seu galo e o alimentou muito bem, enquanto Florença fez o contrário, deixou seu galo sem comer.

No dia combinado, o galo negro de Florença, morrendo de fome, começou a cantar antes do nascer do sol, acordou seu dono, que saiu a galope pelos portões da cidade, enquanto o galo branco de Siena, descansava em berço esplendido com a barriguinha cheia.

Resultado: os dois cavaleiros se encontraram apenas 12km dos muros de Siena (Florença), no município de Castellina, local que passou a ser chamado Croce fiorentina, assim a República de Florença conquistou uma grande parte da região de Chianti, e a fronteira é respeitada até hoje.

chianti classico
Chianti Classico

Em homenagem ao galo madrugador, todas as garrafas de vinho Chianti levam o símbolo do Gallo Nero em seus rótulos.

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