Fui conhecer o Tujuína, restaurante do chef Ivan Ralston, que agora ocupa o lugar do Tuju (que reabrirá em 2021 em outro espaço). Fui com expectativa, já que o Tuju era um dos meus restaurantes favoritos de São Paulo. E gostei bastante!

Ivan Ralston

Não dá para falar do Tujuína sem falar sobre o chef Ivan Ralston. Seus pais fundaram o Viena e são os donos das redes Ráscal e Cortés. Mesmo com a gastronomia no sangue, ele optou por formar-se em música nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, trabalhou nos restaurantes da família antes de partir para a alta gastronomia com um estágio no Maní. Ele foi então morar na Espanha, onde formou-se em gastronomia e trabalhou em alguns dos melhores restaurantes do mundo, como o El Celler de Can Roca e o Mugaritz. Para completar, passou uma temporada em Tóquio, no respeitadíssimo Ryugin, detentor de três estrelas do Guia Michelin.

É bagagem para ninguém colocar defeito. Só faltava mesmo montar o próprio restaurante, o que aconteceu em 2014 com o Tuju. E o Tuju rapidamente ganhou destaque na alta gastronomia brasileira, culminando com as duas estrelas no Guia Michelin.

Tujuina
Tujuina

Aliás, estas estrelas Michelin e outros prêmios são diretamente responsáveis pela mudança de curso do chef e seu restaurante. Essas premiações chamaram a atenção de turistas, que representavam uma parte relevante do movimento do Tuju. Com a pandemia do covid-19 vender menu-degustação para turistas deixou de ser possível e voilà, nasce o Tujuína.

A proposta é mais casual, pratos à la carte para compartilhar. A alma, porém, continua a mesma, como a habilidade em trabalhar com ingredientes do mundo vegetal, o bom atendimento e os incríveis drinks do barman Mauricio Barbosa. Ah, e o espaço é exatamente o mesmo, com mesas mais espaçadas.

Pão de abóbora
Pão de abóbora

Começamos pelo Pão de Abóbora (R$ 18). Pelamor, que coisa boa! Crocante por fora e macio por dentro.

Leia mais: Por que restaurantes servem pão como entrada

Mãe do Sul
Mae do Sul

Para acompanhar, dois excelentes drinks. O Golden Hazelnut (R$ 32, rum 8 anos com Amaro Lucano, xarope de açúcar com ouro, suco de limão e limão siciliano, óleo de avelã e água) e o Mãe do Sul (R$ 28, cachaça orgânica com infusão de especiarias, xarope de uva, suco de limão e clara de ovo). Nem sei dizer qual gostei mais. Que delícia comer em um lugar que leva a sério a coquetelaria!

Charmosinha
Charmosinha

Em algum momento eu também pedi o Charmosinha (R$ 28, gin com xarope de leite clarificado, soro de leite, suco de limão, kinkan, açúcar e gotas de bitter de yuzu). Tipo um Gimlet turbinado!

Aguachile de Vieiras
Aguachile de Vieiras

Entre as entradas, a melhor pedida foi o Aguachile de Vieiras (R$ 64). São vieiras fatiadas com pimenta dedo de moça, cebola roxa, semente de maracujá roxo e alga marinha fresca. Imagine um primo do ceviche em um caldo menos cítrico e mais pimentão suave. Pe tá cu lo!

Mexilhoes com pimentão e coentro
Mexilhões com pimentão e coentro

Os mexilhões com pimentão e coentro (R$ 46) também estavam muito bons. Mexilhões carnudos e suculentos em um rico caldo a base de pimentões.

Coxinha de Galinha D'angola
Coxinha de Galinha D’angola

Se você frequentou o Tuju, com certeza sentou-se ao lado de uma mesa com estrangeiros. Quando vi as Coxinhas de Galinha D’Angola (R$ 28) no cardápio eu na hora imaginei que era uma opção para turistas, mas as pitucas não paravam de sair da cozinha. E lá fomos nós pedir as coxinhas. Boas. Bem boas eu diria. Só que com tanta coisa boa e diferente no cardápio, eu pularia. O resto do restaurante claramente discordaria.

Marinado de Carapau da Liane
Carapau Marinado da Liane

A última das entradas que experimentamos foi a única que eu não curti muito. O Carapau Marinado da Liane (R$ 38) é uma salada de batata com maionese, ovos, grãos de mostarda, pepino, dill e o carapau marinado. Lembra saladas que comi na Alemanha e na Dinamarca. Sei lá, não gosto tanto.

Garoupa na Brasa com Vinagrete de Banana
Garoupa na Brasa com Vinagrete de Banana

De prato principal ficamos na dúvida entre o Arroz Meloso de Camarão Rosa (R$ 122) e a Garoupa na Brasa com Banana e Salada de Ervas (R$ 178). Acabamos indo de garoupa, sem arrependimento. Eles usam uma técnica japonesa onde a escama do peixe é retirada, moída e depois grelhada na brasa com o peixe inteiro. O resultado é um peixe de carne suave contrastando com a textura e sabor rico e untuoso da pele com as escamas. Uma delícia. Ah, e a banana da terra grelhada e coberta por um delicado vinagrete é show à parte. A “simples” banana eleva o prato.

Rabanada com Sorvete de Paçoca
Rabanada com Sorvete de Paçoca

Para finalizar, a Rabanada com Sorvete de Paçoca (R$ 28). Esqueça aquela rabanada tradicional de padaria, aquela aberração desequilibrada, molenga e doce. Aqui o pão tem textura e cremosidade. Espetacular. Eu trocaria o sorvete de paçoca por um de leite e mel. Se você já teve a oportunidade de comer no Eleven Madison Park, sabe do que estou falando.

No geral, tivemos uma ótima experiência no Tujuína. O chef Ivan Ralston confirma ser um dos chefs mais talentosos do Brasil reinventando o Tuju em um menu mais acessível com muita técnica e sabor.

TUJUÍNA
R. Fradique Coutinho, 1248 - Pinheiros, São Paulo - SP
(11) 2691-5342

Write A Comment