Não, a gente não se enganou de seção, esta continua sendo a seção de vinhos. Vou deixar para que meu colega de blog possa escrever sobre as comidas (deliciosas) do restaurante Charco. A mim cabe a missão de descrever uma das experiências com vinhos mais legais que tivemos em um restaurante aqui em São Paulo.

A data era comemorativa, então levei minha garrafa especial à tira colo para poder brindar em grande estilo (o Charco cobra R$40 a rolha), e pensei em comprar no restaurante algum espumante interessante para abrir o jantar.

Fomos recebidos muito bem pela Mari, a Maitre do lugar. Depois de uma explicação detalhada das opções, decidimos pelo menu degustação sem a harmonização com vinhos, já que tinha levado a tal da garrafa especial. Pedi a carta de vinhos para escolher o vinho de entrada e me deparei com uma carta super descolada e original. Muita coisa interessante, vinhos naturais, produtores brasileiros, pequenos, além de estrangeiros nada óbvios. Não segurei minha empolgação e aproveitando da simpatia da Mari, comecei a fazer perguntas e comentários que durariam a noite inteira.

guatambu brut rose
Guatambu Brut Rose

A Mari, percebendo meu interesse e dúvida sobre qual espumante escolher, nos ofereceu uma prova de um deles, o qual também vendem por taça, antes que eu pudesse decidir de fato. Como não tinha uma garrafa aberta, abriu uma para a gente. Provamos, adoramos e ficamos com a garrafa. Um Rose Brut do Guatambu (R$130), vinícola gaúcha que foi inclusive mencionada por vocês quando falei das melhores vinícolas para se visitar no Brasil. A vinícola ainda não conheci, mas esse espumante me causou ótima impressão.

Leia mais: As 5 melhores vinícolas para conhecer no Brasil

Com toda essa cordialidade e papo fluindo, a Mari nos apresentou a sommelier da casa, a Paulinha. Aí o negócio “desandou”, no melhor sentido que essa palavra possa ter. A Paulinha além de manjar de vinho, tem uma curiosidade incrível, descobre vinhos que se quer estão à venda, vinhos de garagem feitos para o deleite dos seus próprios produtores. Ela consegue trazer estes vinhos para o restaurante, com a ajuda do Rudá Serra, que além de ser o enólogo responsável por alguns dos vinhos que nos foram apresentados, também tem uma importadora focada em vinhos naturais a sommelier4u.com. São dois exímios garimpeiros. Com uma generosidade autêntica de quem é de fato apaixonado por vinhos, a Paulinha nos ofereceu alguns vinhos que eles servem na harmonização do menu degustação:

Sauvignon Blanc natural, uvas provenientes de Itobi/MG (Casa Verrone), fermentação alcoólica, controle de temperatura, usando os engaces das uvas, sem filtração. Apesar das uvas virem da Casa Verrone, quem vinificou esse vinho foi o Rudá, (tive o prazer de conversar com ele após o jantar por intermédio da Paulinha), e com uma despretensão enorme, fez um vinho maior ainda.

Pinot Noir natural, uvas provenientes de Itobi/MG (Casa Verrone), quase metade das uvas foram fermentadas com cachos inteiros, mínima intervenção e apenas fermentação alcoólica. Também obra do Rudá, estas uvas são de vinhedos de menos de 2 anos, uma produção de frutas com alto risco de não estar pronta para vinificação. Mas a coragem e o entusiasmo do Rudá, transformaram essa baixa expectativa em um delicioso vinho de personalidade.

Cabernet Franc, primeiro vinho 100% natural produzido por Erich Ventura em São Paulo, uvas provenientes de RS, fermentação alcoólica e malolática além de quase 3 meses de descanso em garrafa. Foi filtrado.

Moscatel Amarelo fortificado 2015, envelhecido por 5 anos em barrica, uvas também do Sul de Minas e produção particular de um senhor que mora em um sítio da região.

Degustação Vinhos Charco
Degustação de Vinhos no Charco

O vinho “especial” que levei, ficou careta perto de tanta coisa legal que provamos. E tudo ali tinha história; O senhor que nunca tinha feito vinho e resolveu fazer algumas garrafas para testar (algumas foram parar nas mãos da Paulinha), o outro que faz vinhos para os amigos e assim vai. Todos com uma pegada natural em comum, ou seja, vinhos artesanais, focados no que a fruta pode oferecer, sem correções ou intervenções químicas artificiais.

Resultado; ficamos apaixonados pelo Charco, pela comida e pelos vinhos, querendo virar melhores amigos da Mari e da Paulinha!!! e agora do Rudá!

Write A Comment