Viajar ao sul do Brasil em busca de experiências relacionadas ao vinho é uma opção divertidíssima. Não pensem que essa diversão está somente na visita às grandes vinícolas, pelo contrário, são nas pequenas propriedades, nas mais simples e rurais, ondem se escondem o que o Brasil tem de melhor a oferecer sobre vinhos.

Sempre me chamou muito a atenção a estrutura rústica e familiar de vinícolas ao redor do mundo. É muito interessante que lugares pitorescos com características “low profile” possam produzir vinhos tão especiais.

Ao chegar em Bento Gonçalves, além das referências tradicionais, queríamos descobrir e explorar o desconhecido, o que não se encontra em prateleiras de supermercados. Fomos logo procurando por vinícolas cuja linha fosse de produção de vinhos naturais, também chamados, “vinhos de garagem”, o que de certa maneira descreve bem o tipo de locais que estávamos prestes a encontrar. Sem muita informação sobre endereços, a busca foi de boca em boca, de porta em porta.

Muita coisa boa foi surgindo conforme nos aventurávamos pelas estradinhas do Vale dos Vinhedos, tantas que acabamos voltando para casa com lugares ainda por conhecer, o que sugere uma volta em breve para a região para conhecer mais das vinícolas do Brasil.

Vinhos Bettú

Vinhos Bettú
Vinhos Bettú

Vilmar Bettú mereceria uma visita só para ouvir suas histórias, ainda que nem produzisse vinhos. Mas ele produz e muito bem! Provavelmente um dos melhores vinhos que provei durante a viagem e entre os melhores brasileiros de todos os tempos. Ele não tem uma pegada tão natural, interfere no vinho, pois segundo o próprio, as técnicas desenvolvidas ao longo de tantos anos, não podem ser desprezadas e sim refinadas em direção ao que se quer criar.

Prepare-se para uma divertida e enriquecedora degustação que chega a durar 3 horas!

Osteria Della Colombina
Osteria Della Colombina

Não deixe de completar a experiência seguindo para um almoço na Osteria Della Colombina, de Odete Bettú Lazzari, irmã do Bettú. Ela e suas quatro filhas plantam, colhem, preparam e servem um verdadeiro banquete com gosto de comida de vó, no porão de terra batida de sua própria casa.

É necessário fazer reserva para a vinícola e para a Osteria.

Dal Pizzol

Dal Pizzol
Dal Pizzol

Além de bons vinhos, essa vinícola tem como diferencial um parque temático com objetos relacionados ao mundo da vinicultura, uma coleção de garrafas de vinho de todo o mundo e uma plantação de mais de 400 tipos de vinhas de 35 países, considerada uma das três maiores coleções de uvas privadas do planeta, a maior da América Latina. É uma delicia caminhar no vinhedo observando a diferença entre as parreiras com uma paisagem incrível como brinde.

Também é possível optar (com reserva prévia) por um almoço harmonizado com degustações dos vinhos da casa que são produzidos com algumas uvas menos comuns no mercado brasileiro, como por exemplo, a casta portuguesa Touriga Nacional.

Lidio Carraro

Lidio Carraro
Lidio Carraro

Apesar de menos divertida, essa é uma vinícola boutique, como eles mesmos se descrevem. A recepção dos turistas acontece na bela e antiga casa da família de descendentes de imigrantes italianos e o que realmente se destaca são os vinhos. Dos mais simples aos mais elaborados, eles têm uma gama de produtos de qualidade com base em uma filosofia purista com o mínimo de interferência no processo de vinificação. 

Cristofoli, Vinhos de Família

Cristofoli, Vinhos de Família
Cristofoli, Vinhos de Família

Aqui o slogan diz muito sobre essa vinícola, a mãe te atende para a degustação e a sobrinha prepara carinhosamente o seu piquenique, enquanto a filha passa de mochila nas costas se despedindo antes de ir para a escola.

Aliás, esse piquenique é algo para se ressaltar, um dos passeios mais marcantes da viagem. Montado sob uma tenda de voil no meio do vinhedo e sobre um gostoso edredom, é muito charmoso e super bem bem servido com frutas frescas e secas, nuts, queijos e frios regionais, além de geleias e pães feitos na casa.

Um dos diferenciais dessa vinícola é que alguns dos seus vinhos não passam por madeira, algo pouco praticado no Vale.

Cave Geisse

Cave Geisse
Cave Geisse

Se diz “Gaisse”, sobrenome do Mario, um enólogo chileno apaixonado pelo que faz, e faz muito bem! Atualmente, os espumantes da família Geisse são facilmente encontrados em todo o Brasil, mas quando se visita a vinícola, se encontra um lugar bucólico, que se mistura à toda a tecnologia aplicada ao processo de vinificação. Seus espumantes estão em um altíssimo patamar de qualidade, vale a degustação feita durante a visita e, claro, umas comprinhas para abastecer a adega.

Leia mais: Conheça o espumante rose Casa Valduga.

Como mencionei, ainda ficaram vinícolas do Brasil interessantes para conhecer como a Dominio Vicari e a Família Boroto que produzem excelentes vinhos. Se visitarem essas, contem aqui pra gente!

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